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Alessandra Iazzetti | Fonoaudiologia Infantil e TPAC

A dificuldade na fala pode interferir na alfabetização?

Criança trabalhando sons e letras durante atividade fonoaudiológica de alfabetização

Sim, a dificuldade na fala pode interferir na alfabetização em algumas crianças. Isso não acontece em todos os casos, mas alterações persistentes na produção e na percepção dos sons da fala podem dificultar habilidades importantes para a leitura e a escrita.

Aprender a falar, ler e escrever faz parte do desenvolvimento infantil. Embora essas habilidades aconteçam em momentos diferentes, elas estão diretamente relacionadas.

Por isso, quando uma criança apresenta dificuldades persistentes na fala, muitos pais começam a se perguntar se isso também pode interferir na alfabetização.

A resposta é: depende.

Nem toda troca de sons ou dificuldade na fala causará problemas na leitura e na escrita. No entanto, quando essas alterações persistem ou aparecem acompanhadas de dificuldades de linguagem, vale a pena compreender melhor como esse desenvolvimento está acontecendo.

Como a fala se relaciona com a alfabetização?

Durante a alfabetização, a criança passa a relacionar os sons da fala com as letras e palavras escritas.

Para isso, ela precisa perceber diferenças entre os sons, identificar a sequência em que aparecem nas palavras e compreender como esses sons são representados na escrita.

Esse processo faz parte do desenvolvimento da linguagem e de habilidades importantes para a leitura e a escrita, como a consciência fonológica.

Quando essas habilidades ainda estão em desenvolvimento ou apresentam alterações, aprender a ler e escrever pode exigir mais esforço.

Quando a dificuldade na fala merece atenção?

Algumas trocas de sons fazem parte do desenvolvimento infantil e tendem a desaparecer naturalmente.

Entretanto, é importante observar quando a criança:

  • continua apresentando trocas frequentes de sons;
  • tem dificuldade para ser compreendida por pessoas fora da família;
  • demonstra dificuldade para perceber diferenças entre sons parecidos;
  • começa a apresentar dificuldades na leitura ou na escrita;
  • recebe observações frequentes da escola sobre fala, linguagem ou alfabetização.

Esses sinais não significam, por si só, que exista um transtorno. Eles apenas indicam que vale a pena compreender como as habilidades de comunicação e linguagem estão se desenvolvendo.

Por que a avaliação vai além da pronúncia?

Quando uma criança apresenta dificuldades persistentes, o objetivo da avaliação fonoaudiológica não é observar apenas se ela pronuncia uma palavra corretamente.

A investigação busca compreender como estão habilidades importantes para a comunicação e a aprendizagem, como:

  • desenvolvimento da linguagem;
  • organização dos sons da fala;
  • consciência fonológica;
  • compreensão verbal;
  • vocabulário;
  • memória e atenção auditiva.

Essa análise permite identificar quais habilidades precisam de maior atenção e orientar a família sobre os próximos passos.

Quando procurar uma fonoaudióloga infantil?

Se a dificuldade na fala persiste, interfere na comunicação ou começa a impactar a alfabetização, uma avaliação especializada pode ajudar a esclarecer a origem desses sinais.

Quanto mais cedo a criança é avaliada, maiores são as possibilidades de compreender seu perfil de desenvolvimento e planejar estratégias adequadas para favorecer a comunicação, a linguagem e a aprendizagem.

Cada criança apresenta um ritmo próprio de desenvolvimento. Por isso, a avaliação individualizada é importante para diferenciar o que faz parte desse processo daquilo que merece um acompanhamento mais específico.

 

Alessandra Iazzetti

Fonoaudióloga infantil – CRFa 2- 6428

Especialista em TPAC (Transtorno do Processamento Auditivo Central).