Alessandra Iazzetti | Fonoaudiologia Infantil e TPAC

TDAH e TPAC: por que alguns sinais podem ser confundidos?

Criança em sala de aula acompanhando explicação durante atividade escolar.

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Processamento Auditivo Central (TPAC) são condições diferentes, mas que podem apresentar sinais semelhantes no dia a dia da criança, especialmente no ambiente escolar. Dificuldades para acompanhar explicações, necessidade frequente de repetição, aparente desatenção e baixo rendimento escolar são situações que costumam gerar dúvidas em pais e professores.

Embora alguns comportamentos possam parecer iguais, a origem dessas dificuldades pode ser completamente diferente. É justamente por isso que uma avaliação individualizada é tão importante.

O que costuma chamar a atenção da família e da escola?

Na maioria das vezes, os primeiros sinais surgem na rotina e não durante uma consulta.

Pais e professores podem observar que a criança:

  • precisa que as informações sejam repetidas com frequência;
  • parece não acompanhar explicações longas;
  • perde partes importantes das instruções;
  • demora para responder quando é chamada;
  • apresenta dificuldade para participar de atividades em grupo;
  • demonstra impacto no desempenho escolar.

Esses comportamentos podem interferir na comunicação, no desenvolvimento da linguagem, na aprendizagem e na participação da criança em diferentes ambientes.

Sinais parecidos nem sempre têm a mesma causa

Quando uma criança apresenta dificuldades para compreender explicações ou manter a atenção, é natural que a primeira impressão seja relacionar esses sinais ao TDAH.

No entanto, o mesmo comportamento também pode ocorrer quando existe dificuldade para processar as informações auditivas.

Isso acontece porque observar apenas o comportamento não permite identificar sua origem.

Uma criança pode perder parte de uma explicação porque teve dificuldade para manter a atenção. Outra pode apresentar o mesmo comportamento porque não conseguiu interpretar corretamente a informação que ouviu.

Embora o resultado observado seja semelhante, a causa pode ser diferente.

O que a avaliação procura compreender?

O objetivo da avaliação não é apenas identificar um comportamento, mas compreender quais habilidades estão envolvidas naquela dificuldade.

Durante a investigação, o fonoaudiólogo analisa diferentes aspectos relacionados ao desenvolvimento da comunicação, da linguagem e do processamento das informações auditivas.

Entre eles estão:

  • compreensão verbal;
  • atenção auditiva;
  • memória auditiva;
  • processamento dos sons da fala;
  • linguagem oral;
  • impacto dessas habilidades na aprendizagem.

Essa análise permite construir um panorama mais completo sobre o desenvolvimento da criança, evitando conclusões baseadas apenas em sinais isolados.

Qual é o papel do processamento auditivo?

O processamento auditivo corresponde à forma como o cérebro recebe, organiza e interpreta os sons da fala.

Quando existe alteração nessa habilidade, a audição pode estar preservada, mas compreender o que foi dito exige maior esforço.

A criança pode precisar de mais tempo para organizar a informação, perder partes importantes de uma explicação ou apresentar dificuldade para acompanhar conversas em ambientes com muito ruído.

Essas situações podem repercutir diretamente na comunicação, na linguagem e na aprendizagem, fazendo com que alguns sinais sejam confundidos com dificuldades de atenção.

Por que compreender a causa faz diferença?

Quando a origem da dificuldade é compreendida, torna-se possível direcionar o acompanhamento de forma mais adequada.

Isso evita que diferentes dificuldades sejam tratadas como se fossem a mesma situação e permite que cada criança receba orientações compatíveis com suas necessidades.

Mais do que identificar um comportamento, compreender como a criança recebe, interpreta e utiliza as informações contribui para o desenvolvimento da comunicação, da linguagem e da aprendizagem.

Quando procurar uma avaliação fonoaudiológica?

Se a criança apresenta dificuldades persistentes para compreender explicações, acompanhar conversas, seguir instruções ou participar das atividades escolares, uma avaliação especializada pode ajudar a esclarecer quais habilidades estão envolvidas.

A avaliação fonoaudiológica investiga o desenvolvimento da linguagem, da compreensão verbal, da atenção auditiva, da memória auditiva e do processamento dos sons da fala.

A partir dessa análise, é possível orientar a família com mais segurança e planejar um acompanhamento individualizado, respeitando as necessidades de cada criança. 

Cada criança possui um perfil único de desenvolvimento. Quando os sinais persistem e começam a impactar a comunicação, a aprendizagem e a participação escolar, compreender sua origem é um passo importante para favorecer um acompanhamento mais assertivo.

 

Alessandra Iazzetti

Fonoaudióloga infantil – CRFa 2- 6428

Especialista em TPAC (Transtorno do Processamento Auditivo Central).