Alessandra Iazzetti | Fonoaudiologia Infantil e TPAC

O papel da fonoaudióloga na adaptação escolar da criança com TPAC

Adaptação escolar no TPAC: papel da fonoaudióloga infantil

A criança com Transtorno do Processamento Auditivo Central (TPAC) pode enfrentar desafios específicos na escola, especialmente em ambientes ruidosos, com linguagem muito rápida ou tarefas que exigem compreensão de múltiplas instruções. Mesmo ouvindo bem, ela pode ter dificuldade em interpretar a fala, acompanhar explicações e organizar o que escuta — e, por isso, muitas vezes é vista como desatenta, lenta ou desmotivada.

É nesse cenário que a atuação da fonoaudióloga se torna essencial. A partir da avaliação e do acompanhamento terapêutico, a profissional identifica quais habilidades auditivas precisam ser fortalecidas e orienta a escola sobre como adaptar a rotina para facilitar a compreensão da criança. Essas orientações favorecem não apenas o aprendizado, mas também a participação da criança nas atividades, reduzindo frustrações e fortalecendo sua autoestima.

Como a fonoaudióloga contribui com a escola

A adaptação escolar não depende apenas de estratégias isoladas: ela exige compreensão do quadro e colaboração entre profissionais. Entre as principais contribuições da fonoaudióloga estão:

1. Tradução dos achados clínicos para a prática escolar

A fonoaudióloga interpreta os resultados do Exame PAC e do acompanhamento terapêutico, explicando para professores o que a criança consegue compreender, quais sons confundem mais e como isso impacta leitura, escrita e comportamento.

2. Orientações sobre comunicação em sala de aula

Pequenas adaptações fazem grande diferença, como:

  • falar mais devagar e com pausas;
  • dividir instruções longas em partes menores;
  • confirmar se a criança compreendeu;
  • utilizar mais pistas visuais durante explicações.

3. Ajustes no ambiente para favorecer a escuta

Algumas recomendações incluem escolher um lugar mais favorável na sala, evitar fontes de ruído próximas e organizar atividades que não sobrecarreguem a criança auditivamente.

 4. Parceria com professores e coordenação

Com reuniões de orientação e relatórios claros, a fonoaudióloga ajuda a equipe escolar a compreender o TPAC e adaptar a rotina sem sobrecarregar o professor.

Essas estratégias promovem um ambiente mais acessível e aumentam as chances de a criança participar, aprender e se sentir segura na escola.

Quando a escola e a fono trabalham juntas, a criança avança

A intervenção fonoaudiológica não se limita ao consultório. Quando há parceria entre família, escola e fonoaudióloga, a criança com TPAC demonstra ganhos importantes em:

  • autonomia;
  • compreensão da fala;
  • organização auditiva;
  • participação nas aulas;
  • desempenho na leitura e escrita.

A adaptação escolar não é apenas um suporte — é uma oportunidade para que a criança desenvolva suas habilidades com mais tranquilidade e confiança.

 

 

Alessandra Iazzetti

Fonoaudióloga infantil – CRFa 2- 6428

Especialista em TPAC (Transtorno do Processamento Auditivo Central).