Na rotina escolar, é comum que pais e professores observem crianças que se distraem com facilidade, pedem para repetir instruções ou parecem “no mundo da lua”. Esses comportamentos podem ter origens diferentes — e entre as causas mais comuns estão o Transtorno do Processamento Auditivo Central (TPAC) e o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Apesar de apresentarem sinais parecidos, TPAC e TDAH não são a mesma coisa e exigem abordagens específicas.
O TPAC acontece quando a criança ouve normalmente, mas não processa os sons de forma adequada. Isso significa que o ouvido capta o som, mas o cérebro não consegue organizar, discriminar ou compreender bem o que foi ouvido. Já o TDAH é um transtorno neurológico que afeta os mecanismos de atenção e controle de impulsos, comprometendo o foco em diferentes situações — inclusive nas que não envolvem escuta.
Como diferenciar TPAC e TDAH na prática
Embora possam coexistir, existem sinais que ajudam na distinção entre os dois quadros:
- Contexto da dificuldade:
Crianças com TPAC costumam ter mais dificuldade em ambientes barulhentos, principalmente para entender a fala. No TDAH, a desatenção ocorre em qualquer situação, inclusive durante atividades visuais. - Tipo de resposta:
No TPAC, a criança ouve, mas não entende; no TDAH, ela nem sempre mantém a atenção suficiente para ouvir. - Desempenho escolar:
O TPAC pode gerar erros de escrita e leitura por dificuldade de percepção dos sons da fala, enquanto o TDAH está mais associado à organização, memória e impulsividade.
Por isso, o diagnóstico deve ser sempre multidisciplinar. A avaliação fonoaudiológica, com Exame PAC em cabine acústica, é essencial para investigar o processamento auditivo. Em alguns casos, é necessário também o acompanhamento médico e psicológico para confirmar ou descartar o TDAH.
A importância do diagnóstico correto
Identificar se a causa das dificuldades está na atenção ou no processamento auditivo é o que define o melhor tratamento.
Crianças com TPAC se beneficiam de terapia fonoaudiológica específica, com exercícios que estimulam a escuta ativa e a compreensão da fala. Já no TDAH, a abordagem pode incluir intervenção comportamental, acompanhamento médico e estratégias pedagógicas.
Com a avaliação adequada, é possível traçar um plano de acompanhamento que respeite as necessidades da criança e favoreça seu desenvolvimento escolar e emocional.
